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    • Entrelinhas: um mapeamento da atuação da Constelação Familiar Sistêmica em ambientes secularizados no Brasil

    Entrelinhas: um mapeamento da atuação da Constelação Familiar Sistêmica em ambientes secularizados no Brasil

    • Categorias Artigos, Crônicas de Pesquisa, NUES - Projeto encerrado
    • Data 7 de outubro de 2019
    • Comentários 0 comentário

    Por Greta Garcia

    A Constelação Familiar Sistêmica, abordagem terapêutica não-convencional desenvolvida pelo filósofo e teólogo Bert Hellinger ao longo do século XX, pode ser apontada como própria dos campos do conhecimento como o holístico e o fenomenológico. A terapia propõe, via métodos metafísicos, a melhora ou até mesmo a cura de alguma questão que possa estar causando algum tipo de tormento ou bloqueio na vida do indivíduo que a experiencia. Em contrapartida às práticas médicas convencionais, a Constelação Familiar opera a partir do chamado Pensamento Sistêmico, teoria fundamentada na existência de um sistema de consciência coletiva ligado à sabedoria e proteção ancestral, que ramificam-se e atuam de forma ativa na vida de todos os indivíduos. 

    A teoria busca, assim, acessar pontos ainda intocados do inconsciente para reconhecer a reprodução de padrões comportamentais que estruturam os êxitos e infortúnios de um determinado sistema familiar e, consequentemente, dos indivíduos que a ele pertencem. Diante disso, deparo-me com uma interessante questão: a aparente ligação da Constelação Familiar com o holístico não tem se apresentado como um fator de inibição para a sua presença e consolidação na esfera pública oficial; mas sim o oposto. É curioso observar como a Constelação conquista cada vez mais legitimação e espaço dentro de contextos institucionais, burocratizados e seculares de prestação de serviços públicos de atenção à saúde. 

    Sobretudo na última década, o volume de pesquisas acadêmicas sobre o tema cresceu exponencialmente, convertendo-o num importante elemento de intersecção entre universos como o da psicologia, das ciências sociais, do direito, da educação e da saúde; Desta forma, os últimos (e próximos) anos representam um momento chave para a integração da prática da Constelação Familiar em ambientes oficiais, secularizados e gestados pelo Estado. Esta integração pode ser identificada como mais um sintoma de que, desde a segunda metade do século XX, a área da saúde vem dedicando maior atenção à dimensão espiritual dos indivíduos, assim como aos seus desdobramentos na sociedade. 

    À vista disso, o que minha pesquisa propõe é traçar um mapeamento da introdução da Constelação Familiar a ambientes institucionalizados, utilizando como referência algumas questões fundamentais, como, o que o aumento urgente dos olhares sobre a Constelação, por parte da academia, tem a nos dizer sobre a especificidade desta prática? De que formas a Constelação Familiar tem se feito presente e estabelecida como técnica válida à dimensão da saúde, tendo em vista sua adesão às políticas públicas também nas áreas da educação, da psicologia e do direito? E até, de quais formas a Constelação passa a adquirir legitimidade em seus atuais universos de atuação e, qual o perfil de profissionais ali atuantes?

    Atualmente a pesquisa encontra-se em seus primeiros momentos, o que costuma me levar a pensar que, a partir das investigações bibliográficas e de campo, as coisas possam tomar um rumo diferente que não imagino agora. Ainda que diante de dadas incertezas, é certo que compreender o processo de institucionalização da Constelação Familiar como política de atenção à saúde pode abrir novos cenários para reflexões sobre as relações estabelecidas entre práticas reconhecidas como holísticas e/ou espirituais, secularismo e espaço público, além dos seus movimentos de incorporação ao cotidiano das instituições.

    Tag:Brasil, constelação familiar

    Sofia Scudeleti

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