“Ativismo antifeminista de influencers cristãs e a Teologia da complementariedade” Brenda Carranza e Tabata Tesser publicaram na Debates do NER Ano 26, N. 47 (2026)

DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8136.150464
Resumo
Partimos da hipótese de que se consolida, no Brasil, uma militância teológica antifeminista cristã, entendida como produção de conhecimento doutrinal e aconselhamento moral orientado a disputas sociopolíticas, que articula influencers católicas e evangélicas. Analisamos um corpus composto por perfis no Instagram e websites de cinco influenciadoras selecionadas por alcance e centralidade em redes, monitorados entre jan/2024 e ago/2025, além de suas obras impressas e materiais catequéticos. O procedimento combinou etnografia digital multisituada e análise de enquadramentos discursivos. Sustentamos que o ideal ultrafeminino de submissão, ordem e “propósito divino” (vocação), é ancorado na Teologia da Complementariedade e/ou Teologia do Corpo, referência do central do catolicismo conservador, e atualizado por estratégias de plataforma (monetização, marca pessoal e pedagogias de autoajuda). Argumentamos que, esse empreendedorismo religioso reconfigura repertórios de justiça de gênero, sexualidades e corporalidades, incidindo nas controvérsias morais em contexto de polarização. O estudo evidencia convergências interconfessionais e mecanismos de circulação/validação de saberes, contribuindo para compreender como a plataformização transforma a autoridade teológica e a ação política de mulheres conservadoras.
Essa publicação compõe o Dossiê Temático “Mulheres cristãs contemporâneas: múltiplas formas de conservadorismo e resistência”– coordenado por Ana Carolina Marsicano e Nina Rosas.

