Os estudos rituais atravessam a Antropologia enquanto um tema clássico, que possibilitou não somente reflexões sobre o(s) método(s) de pesquisa – especialmente a etnografia – mas também sobre categorias importantes para a disciplina, como cultura/natureza; indivíduo/sociedade; fato, estrutura, sistema ou função sociais, entre outras. O tema atravessa recortes como os estudos das religiões e da magia; do corpo e da performance; da saúde; das relações de parentesco; das narrativas e aspectos linguísticos; das economias simbólicas e materiais; das artes; das cidades, entre outros. A relevância das pesquisa sobre os rituais se justifica pelas diferentes manifestações subjetivas e locais; assim como por suas expressões materiais e históricas que revelam fenômenos plurais, os quais contemplam ainda esforços criativos influenciados por condições e variáveis específicas enquanto é permanentemente atualizado através das experiências e práticas culturais. Especificamente no campo dos estudos das religiões e da espiritualidade, os rituais não só se expressam no cerne das diferentes vertentes institucionalizadas como se multiplicam por meio de uma apropriação ressignificada, possibilitando tensionamentos e outras categorias analíticas produzidas de uma perspectiva contemporânea. Nesse sentido, o tema ainda se mostra relevante porque também aponta para a necessidade de retomar e atualizar os estudos sobre rituais à luz de transformações conjunturais e dos novos problemas colocados por um mundo globalizado e modos de vida contemporâneos. É o caso, por exemplo, de questões como controvérsias sobre entendimentos e sua presença cotidiana; a materialidade, as mídias e mediações tecnológicas; ou as habilidades, técnicas, saberes e regimes de conhecimentos mobilizados para sua produção e reprodução.
A proposta tem como objetivo geral debater um conjunto de textos, os conceitos apresentados e suas ideais, pensando na relação entre discussões clássicas e contemporâneas no campo dos estudos sobre rituais. O seu objetivo específico é debater a relevância desta discussão para as pesquisas em andamento nos Grupos de Pesquisa e nas experiências compartilhadas por integrantes.
Esta linha, a longo prazo, também pretende estabelecer diálogo com saberes tradicionais e com mestres detentores de notório saber, convertendo o LAR em um espaço ampliado para epistemologias e cosmovisões não hegemônicas. Sobretudo aqueles cujo fazer se relacionam com Rituais, especialmente relacionados a manifestações culturais como celebrações, devoções, festas, espaços religiosos, entre outras.
Em síntese, o interesse da Linha de Pesquisa – Rituais se ramifica em três sentidos complementares:
- Discussão teórico-metodológica dos estudos antropológicos sobre rituais, alargando as possibilidades de investigação e compreensão do tema;
- Discussão teórica sobre os rituais a partir de suas técnicas e tecnologias.
- Reflexões temáticas sobre rituais e práticas religiosas, visando ampliar conexões e possibilidades analíticas que contemplem a variedade de processos rituais dentro das diferentes vertentes.
Esta linha de estudos pretende reunir discussões que aparecem de forma transversal nas pesquisas em execução no Laboratório de Antropologia da Religião (LAR), aproveitando para ampliar o diálogo da Antropologia com outras áreas através de uma abordagem dos Rituais em seu sentido amplo.
Essa linha dialoga transversalmente com outras linhas de pesquisa do grupo e tem afinidade com o Projeto de Extensão e Pesquisa “Religião no campus da Unicamp: laicidade, liberdade e conflitos”.
Por meio desta iniciativa pretende-se ampliar o diálogo entre o LAR e outros grupos de pesquisa para além do eixo Sul-Sudeste, contemplando as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em especial, destacam-se duas interlocuções:
● Núcleo de Pesquisa em Educação e Cibercultura – NUPEC;
● Grupo de Pesquisa Transdisciplinar sobre Corpo, Saúde e Emoções – CORPOSTRANS.
