Palestinidade e virtude islâmica: uma etnografia dos sermões públicos em uma mesquita brasileira
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- Data 10 de março de 2026
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Autores:
Luís Augusto Meinberg Garcia é doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Paulo André Ribas Corrêa é doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Injustiça, mais injustiça e mais injustiça. É o que nós vemos hoje nos noticiários. E, o pior, é ver muçulmanos injustos. Eu não chamo de muçulmanos porque muçulmano não é injusto. Muçulmano não é covarde. Muçulmano não tem medo de falar a verdade, de estar do lado correto. Independente se o patrão está vendo, se o cliente está comprando ou no seu escritório… Onde está a justiça dessas pessoas? Desde o primeiro momento em que começou o genocídio, eu me sentia a pior pessoa na face da Terra. Por não poder fazer nada. A pior pessoa, porque só a ajuda financeira que eu mandava, para mim não é suficiente. As súplicas que eu estou fazendo nas minhas cinco orações e na calada da madrugada, que Deus sabe, não são suficientes. E pedindo, implorando para muçulmanos compartilharem algo nas suas redes sociais. O mínimo, não sejam covardes, não sejam hipócritas. Deus, altíssimo seja, é justo. Não aprecia a injustiça com ele próprio ou com qualquer outra pessoa. Aqueles que estão longe disso são covardes. E os covardes têm medo. Esses sionistas genocidas? Todos covardes! E todos que os apoiam, são covardes iguais. Porque a covardia e o medo é da mente. A coragem é da fé. Coragem é da fé! E se você é injusto, se você não se posiciona, você é um covarde e você não tem fé alguma. Você é cachorro desses genocidas. Esse é o primeiro ponto. Covardia não faz parte do Islã. A justiça, sim. Você deve se posicionar. Se você se manter neutro, você está do lado do opressor. O neutro que fica em cima do muro é o opressor. Isso não sou eu que falo. Isso é o Alcorão. Isso é o profeta Muhammad. E se você é muçulmano de “brincadeira”, você está longe da religião. Acorde enquanto é tempo. Está com medo do seu cliente? Está com medo do seu patrão? Está com medo do seu vizinho? Se você não passar a verdade, Deus está com os verdadeiros. Deus está com os justos. E o que nós devemos fazer? Porque eles estão lá lutando pela sua dignidade, pelos seus valores, pela sua terra, pelo direito de ir e vir, por justiça. Sem justiça nunca haverá paz.
(Trecho do sermão na Mesquita de Barretos, proferido em 27 de outubro de 2023)
Em outubro de 2023, a Palestina – ou, mais especificamente, Gaza – voltou ao centro das atenções mundiais devido ao que poderíamos considerar como sendo o primeiro ataque massivo de Israel na era das novas mídias. Desde então, temos testemunhado uma variedade de reações que colocam em perspectiva não apenas os discursos enunciados desde os palcos da política e do direito internacional, mas também aqueles proclamados nos espaços nos quais os elos mais fundamentais da convivência são criados e corporificados (embodied). Apresentamos, aqui, nosso trabalho etnográfico que busca refletir sobre sermões públicos (khutba) proferidos em uma mesquita muçulmana no Brasil, buscando compreender como o discurso ritual islâmico responde a esse cenário de violência. Interessa-nos, sobretudo, analisar como esses sermões atualizam a tradição religiosa ao articular dor, sofrimento e resiliência (sumud), produzindo modos de subjetivação e formação ética, bem como o desenvolvimento de virtudes islâmicas específicas.
As pesquisas etnográficas desenvolvidas com a comunidade muçulmana de Barretos, no interior de São Paulo, (Garcia, 2024a; 2024b; 2025) têm buscado compreender as articulações entre sensibilidade devocional, normatividade religiosa e formas locais de pertencimento à umma¹, que vão desde as formações e transformações dessa tradição discursiva (Asad, 1986) diante o contexto secular e cultural em que se insere, bem como à produção de sujeitos devotos em conversão religiosa. A partir dessa trajetória de pesquisa, agora investigamos os modos pelos quais a ética islâmica é atualizada e corporificada nas khutba (sermões públicos) proferidas e debatidas entre a comunidade.
A percepção que deu origem a este trabalho surgiu em situação etnográfica, quando, a partir de 7 de outubro de 2023, observou-se um deslocamento temático nas discussões morais e nas ações públicas da mesquita: o foco cotidiano da devoção, antes concentrado em práticas de aperfeiçoamento pessoal e comunitário, passou a girar em torno da Causa Palestina. Desde então, os acontecimentos em Gaza passaram a constituir o centro de uma pedagogia ética e afetiva: falar sobre a Palestina tipificou um momento para falar sobre si, sobre o dever religioso e sobre o que significa agir eticamente em um mundo atravessado por injustiça e violência. Isso nos remete à noção de “evento” da antropóloga indiana Veena Das (1995), na medida em que o sofrimento em Gaza irrompe na vida cotidiana da comunidade não como mero pano de fundo, mas como um acontecimento crítico que reconfigura horizontes morais, instaura novas formas de pertencimento e convoca os sujeitos a se posicionarem eticamente diante da dor do outro.
¹A comunidade imaginada universal composta por todas as pessoas muçulmanas ao redor do mundo.
Os sermões islâmicos, conhecidos como khutba, constituem o cerne da oração coletiva de sexta-feira (ṣalāt al-jum‘a), momento em que a comunidade muçulmana se reúne não apenas para cumprir um dever ritual, mas para escutar, deliberar e se formar moralmente. Longe de se restringirem à transmissão de uma doutrina teológica, as khutbas são ocasiões privilegiadas de reflexão ética e de corporificação das virtudes islâmicas, nas quais o khatib [aquele que prega] interpreta o mundo à luz dos princípios islâmicos e convoca seus ouvintes a repensarem a própria conduta conforme os ideais de justiça (ʿadl), paciência (ṣabr), temor a Deus (taqwā) e solidariedade. Seguindo o trabalho de Charles Hirschkind (2006), tomamos os sermões enquanto práticas de formação ética mediadas pela escuta e pela sonoridade, capazes de produzir disposições morais e de sustentar contraculturas devocionais no interior da modernidade. De modo semelhante, observamos que as khutbas proferidas na Mesquita de Barretos operam como rituais de escuta e aperfeiçoamento, instâncias nas quais a palavra sagrada e a performance vocal do khatib criam um ambiente de aprendizado ético, onde o discurso religioso se converte em técnica de si e em exercício coletivo de virtude.
O genocídio em Gaza operou, no interior da mesquita, como uma espécie de “cronômetro” ético, e com ele um tempo moral em que a hora da “Verdade” se impunha: era preciso separar os virtuosos daqueles que não o eram. A dor palestina foi reinscrita como dor do corpo islâmico global (a umma) e, nesse movimento, a compaixão e a responsabilidade foram erigidas como práticas éticas fundamentais. O sofrimento – ou seu reconhecimento – tornou-se um modo de conhecimento e uma forma de devoção. Virtudes como a justiça foram evocadas não apenas como valores abstratos, mas como disposições corporais e afetivas a serem cultivadas em meio ao testemunho do genocídio.
Quando você ver uma injustiça, é seu dever tentar pará-la com a mão. Se não for possível, com a fala, se não for possível com o coração e esse é o pior dos níveis. Para que que você tem rede social? Para postar vídeos, para postar o teu lazer, para postar o teu serviço, seus produtos? O profeta Sallallahu Alaihi Wa Sallam² está dizendo para você falar, mostrar a verdade, compartilhar um vídeo que as pessoas entendam. Porque a mídia é sionista, a mídia é podre. E nós estamos lutando contra um exército mentiroso, hipócrita, genocida, terrorista. Se nós não formos unidos, nós seremos esmagados. Lembrem da Batalha de Badr. Os muçulmanos eram 300. Os idólatras mais de 1.000. Os muçulmanos estavam em jejum. Foram vitoriosos. Por quê? Porque eles estavam com Deus e quem socorre a Deus, Deus socorre ele. E na Batalha de Uhud, os muçulmanos eram maioria. Estavam ganhando a batalha. E o profeta disse: “Não deixem a retaguarda. Independente do que acontecer, não deixem os vossos postos.” Os muçulmanos estavam ganhando a batalha. Quando eles viram os escombros de guerra na sua frente, cresceu nos olhos deles a matéria, a ganância. Abandonaram o local que o profeta SWS designou para eles. E o que que aconteceu com eles? Foram massacrados. Foram pegos pela retaguarda e o próprio profeta teve o seu dente quebrado e sangrou por conta da ganância, por conta de não obedecerem a Deus e as ordens do mensageiro de Deus. Nós temos exemplos na vida do profeta. Mas você muçulmano sabe ou entra em uma orelha e sai pela outra? Você está com Deus ou longe dele? Você brinca de ser muçulmano?
²Em português: “Que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele”. Na tradição islâmica, é comum adicionar essa frase, em árabe ou na língua falante local, após mencionar o nome do profeta Muhammad.
(Trecho do sermão na Mesquita de Barretos, proferido em 27 de outubro de 2023)
Inspirados por Saba Mahmood (2025), tomamos os sermões islâmicos como parte das atividades de da‘wa³ – o chamado e a convocação à fé – e do princípio de amr bil ma‘rūf wa-nahy ‘an al-munkar (“encorajar o bem e proibir o mal”). As khutbas analisadas, proferidas entre outubro de 2023 e janeiro de 2024, tanto presencialmente quanto por meio de transmissões no YouTube, configuram-se como momentos privilegiados em que a da‘wa assume a forma de admoestação verbal: nelas, o khatib exorta seus irmãos à retidão, à devoção e à solidariedade com a Palestina. O sermão torna-se, assim, um dispositivo ético, um ato pedagógico – que visa não apenas informar, mas moldar a vontade e a sensibilidade moral dos ouvintes; um exercício de cultivo de si em direção a uma “vida correta”.
³“O termo se refere a todo trabalho realizado em prol da divulgação do Islã. Trata-se de um dever dos muçulmanos de divulgar a mensagem do Islã para pessoas não muçulmanas, mas também de incentivar ativamente o coletivo interno de muçulmanos para buscarem maior devoção em todos os âmbitos de suas vidas” (Garcia, 2024b, p.17).
As pessoas, aqui no Brasil, não tem conhecimento. Por isso que é a nossa responsabilidade divulgar, compartilhar, passar adiante vídeos didáticos, rápidos, elucidativos, porque senão nós carregaremos nas nossas costas todo o mal que esses injustos estão fazendo. Porque a nossa sociedade não lê. A nossa sociedade forma o seu convencimento com Globo, Record, SBT e mídias tradicionais. A nossa luta é constante, estratégica e aproveitando ao máximo as redes sociais e as pessoas que estão se esforçando, criando conteúdo. Meu irmão e minha irmã, você só tem a obrigação de compartilhar, de apertar um botão. Enquanto há pessoas que estão em estúdios tirando dinheiro do bolso filmando, pagando gente para fazer esses vídeos e você de braços cruzados, acorde. Acorde para a corda não estar no seu pescoço no dia do juízo final. Esse é o desabafo. É o desabafo de quem não está dormindo até hoje, de quem não está satisfeito em ver o meu meu filho tranquilo e ver essas crianças sendo massacradas. Sejam seres humanos. Mostrem para a sociedade a beleza do islã. Agora que no Brasil eles querem uma guerra religiosa, só propagando mentiras, fake news. Amanhã você será um injustiçado, amanhã é tua irmã, amanhã é tua mãe, tua filha, por conta da sua injustiça ou por conta de ficar em cima do muro, ou por conta de não se posicionar. A injustiça em relação ao próximo é a nossa própria injustiça amanhã. Sejam justos, Allah está com os justos, Allah está com os verdadeiros, Allah protege os verdadeiros.
(Sermão na Mesquita de Barretos, proferido em 27 de outubro de 2023)
Essa perspectiva permite articular o campo empírico às formulações de Talal Asad (1986), para quem a ética islâmica deve ser compreendida no interior de uma tradição discursiva e não como simples sistema normativo. Os sermões, ao atualizarem a dor palestina em chave devocional, tornam-se instâncias de transmissão e corporificação da tradição, nas quais a da‘wa se torna o lugar de uma formação moral situada. Nessa leitura, o Islã em Barretos não aparece como reflexo distante de um centro doutrinário, mas como um espaço de reelaboração da normatividade islâmica em diálogo com as urgências políticas do presente.
Por sua vez, o “campo da moralidade” (Foucault, 1982) não se reduz a um código prescritivo, mas se manifesta nas práticas e técnicas através das quais os sujeitos se constituem moralmente. Os sermões islâmicos, nesse sentido, podem ser pensados como “técnicas de si” coletivas: nelas, os fiéis aprendem a orientar a própria conduta mediante o exercício da escuta, da emoção compartilhada e do senso de justiça. A ética se produz no entrelaçamento entre discurso e corpo, entre admoestação e afeto, entre tradição e presente histórico.
A etnografia sugere, portanto, que os sermões da Mesquita de Barretos atualizam a tradição islâmica ao inscrever o sentimento e o engajamento com a Causa Palestina no centro de uma ética do sofrimento e da virtude. A solidariedade com Gaza é apresentada como exercício espiritual (Reinhardt, 2021) e como dever religioso, e a figura do khatib emerge como mediador dessa pedagogia moral, no interior da qual a fé se manifesta como disposição prática e sensível.
***
Nossa intenção, conforme já frisado acima, é explorar os sermões não como instâncias de inculcação doutrinária, mas como um gênero discursivo que ao exortar os ouvintes à uma vida piedosa também requer um tipo resposta, tais como a coragem, a humildade e a justiça, que são, dentro da tradição moral islâmica, disposições afetivas que dotam a pessoa muçulmana de capacidades de discriminação moral necessárias para uma conduta apropriada (Hirschkind, 2021). O engajamento com a Palestina, neste contexto, é compreendido não só como um posicionamento político, mas como uma prática de formação moral – um aprendizado sobre como sentir o sofrimento do outro e como transformar essa sensibilidade em ação virtuosa.
Procuramos, também, na elaboração da pesquisa, analisar como os sermões operam uma sobreposição de conceitos teológicos e políticos, borrando as fronteiras delimitadas entre esses dois campos discursivos tal qual erigido pela secularidade. Isso nos conduz a pensar como um “acontecimento” – não no sentido de atualidade, mas no sentido forte da palavra – reorienta uma prática (os sermões); como um evento traumático reconfigura o campo sensível, devocional e moral de uma comunidade a partir de três elementos: 1) acontecimento operador de subjetivação; 2) evento moral que reorganiza uma sensibilidade moral; e 3) como esse evento opera uma reabertura do tempo. Em relação a esse último elemento, afirmamos, provisoriamente, que o genocídio em Gaza reabre o tempo, isto é, é um acontecimento que rearticula a temporalidade, pois rompe com o tempo linear e vincula um tempo ético (escatológico, profético) ao acontecimento – um tempo de verdade; uma espécie de “cronômetro ético”. Assim, esse tempo do acontecimento atua não como “objeto” do discurso (o genocídio descrito a partir da retórica política e que requer um tipo de reconhecimento humanitário), mas “sujeito” que produz um sujeito moral.
Referências bibliográficas
Asad, T. (1986). The idea of an Anthropology of Islam. Washington: Center for Contemporary Arab Studies, Georgetown University (Occasional Papers Series).
Das, V. (1995). Critical events: an anthropological perspective on contemporary India. New Delhi: Oxford University Press, 1995.
Foucault, M.. (2004[1982]). Tecnologias de si. Verve, v. 6, p. 321-360.
Garcia, L. A. M. (2025). Do sul do Líbano ao interior paulista: Islã, memória e narrativa na diáspora árabe-muçulmana em Barretos (SP). V.13/2025| DOSSIÊ |DOI: 10.34024/pensata.2025.v13.20774.
Garcia, L. A. M. (2024a) O Islã em Barretos (SP): história, sensibilidades devocionais e conflitos normativos. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis.
Garcia, L. A. M. (2024b). O Islã enquanto “código de vida”: Conversão, Pedagogia Ética e a Busca pela Excelência Moral em Barretos (SP). Mediações – Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 29, n. 3, p. 1–19.
Hirschkind, C.. (2006). The Ethical Soundscape: Cassette Sermons and Islamic Counterpublics. New York: Columbia University Press.
Hirschkind, C.. (2021). Uma ética da escuta: a audição de sermões em cassete no Egito contemporâneo. Debates do NER, Porto Alegre, ano 21, n. 39, p. 211-261.
Mahmood, S.. (2025). Política da devoção: o renascimento islâmico e o sujeito feminista. Rio de Janeiro: Papéis Selvagens.
Reinhardt, B.. (2021). A relacionalidade da ruptura pentecostal: conversão, natalidade e parentesco em Gana. Religião e Sociedade, Rio de Janeiro, v. 41, n. 1, p.49-75.
Contato dos autores:
Luís Augusto Meinberg Garcia é pesquisador na Cátedra Edward Saïd de Estudos da Contemporaneidade da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase nos seguintes temas: Islã, diásporas árabes, secularismo, comunidades muçulmanas no Brasil, ética e devoção, conversão religiosa, etnicidade, refúgio e exílio. E-mail: luis.meinberg@unifesp.com.
Paulo André Ribas Corrêa é membro do Núcleo de Estudos Palestinos (NEP-UFPR). Tem experiência na área de Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Estudos Palestinos, Antropologia da Ética e das Moralidades e Antropologia da Religião e do Secularismo. E-mail: pauloandre_rc@protonmail.com.
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