Foi publicado! Capítulo “Do país católico à nação cristã do Censo 2022: a construção de um espaço simbólico de dominação e embate em torno de gênero” de Rosado Nunes, Bandeira e Angelini.
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- Data 5 de abril de 2026
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Nossas pesquisadoras compuseram o e-book “Populações e
desenvolvimento:
30 anos pensando, repensando
e construindo o Brasil” recém lançado pela Círculo de giz com reflexões sobre os deslocamentos e permanências em nossa identidade religiosa e nacional.
“A passagem de um país oficialmente católico para um cenário mais diverso não significou necessariamente a consolidação de um reconhecimento efetivo de outras religiões; pelo contrário, o que os dados do censo e as disputas políticas contemporâneas revelam é a persistência de um espaço simbólico de dominação no qual o cristianismo que articula católicos e evangélicos continua agindo como referência normativa para a definição da identidade nacional. A ideia do Brasil como nação cristã emerge como uma construção política que busca legitimar a ocupação do espaço público por valores religiosos em detrimento de outras concepções de mundo. A convergência entre setores conservadores católicos e evangélicos no campo político, especialmente mas não apenas em torno de uma agenda comum de moral sexual, constitui um dos eixos centrais dessa reconfiguração. As disputas em torno dos direitos sexuais e reprodutivos, da família, da sexualidade e do gênero mostram que a pluralização religiosa convive com uma forte tentativa de reimposição de normas morais cristãs ao conjunto da sociedade, por meio da ocupação estratégica do Estado, evidenciando-se os limites práticos da laicidade no Brasil contemporâneo” p. 390
Sugerimos a leitura desse artigo que nos rememorou da exortação de Anne McClintock “Todos os nacionalismos tem gênero, todos são inventados e todos são perigosos” (2010, p. 517). Em Couro Imperial, mais especificamente no capítulo 10. Adeus ao paraíso futuro – Nacionalismo, gênero e raça, a autora refletiu sobre as reconfigurações dos nacionalismos na África do Sul ressaltando que, depois de diversas mudanças e etapas históricas, pouco mudou na percepção das mulheres negras. Semelhantemente as nossas pesquisadoras do LAR, Anne McClintock sugere que a continuidade entre diversos nacionalismos em disputa na história de seu campo de estudo são o controle masculino sob as políticas de maternidade e sexualidade feminina permitidas pela manutenção da família como símbolo nacional.
